segunda-feira, 3 de março de 2014

Porque anime também pode ser poético


Makoto Shinkai respondeu essa pergunta em apenas 5 minutos.



Eu amo poesia. Mas, se a 4 anos atras alguém me falasse que é possível transmitir uma mensagem profunda através de um desenho animado, eu diria que é impossível. Ou então se alguém me dissesse que é possível fazer isso em apenas 5 minutos, sem dúvidas, eu cairia na gargalhada. Isso tudo porque eu fazia parte das trocentas pessoas que ainda pensam assim no nosso amado Brasilzão. Aos poucos esse quadro será revertido, mas sejamos francos, essa dádiva ainda está meio longe de acontecer por completo.

Do mesmo modo como eu achava que desenho legal era aquilo que passava na falecida TV globinho (no caso as últimas edições em que foram ao ar), acredite, as pessoas podem mudar, assim como eu mudei. Basta deixar fluir a curiosidade que o conhecimento é adquirido. Por exemplo, ninguém jamais vai suspeitar que a Turma da Mônica já foi um dia uma HQ de estrema criatividade, se não for procurar pelas edições mais antigas, e não essas porcarias que são produzidas pela sua produção xexelenta que tem como alvo as criancinhas de 7 anos. Daí você me diz: ''- Ta, mas e a edição da Turma da Mônica Jovens?'' pois é, essa só foi uma tentativa fracassada de tentar resgatar velhos leitores.O fato é que a a Turma da Mônica vai ser lembrada num futuro próximo como uma revistinha para crianças, ou uma marca de fraldas e coisas do tipo, do que como de fato uma HQ para todos os públicos. O grande vírus ''desenho é coisa de criança'' se espalhou no Brasil por conta disso. E esse pensamento só será quebrado a partir do momento quando a pessoa procurar se informar melhor.



 Shonen não é só Naruto, da mesma maneira como anime poético nem sempre é aquilo que a gente vê nas temporadas atuais. Não estou generalizando, mas uns 70% dos animes que estão sendo lançados não nos querem dizer absolutamente nada. Por favor não encare essa minha afirmação como algo negativo, porque eu também adoro ver uma série sobre o nada, onde o único proposito é a diversão. A questão é ter a capacidade de enxergar quais são os bons e quais são os ruins, o que já seria conversa para outro post.

O que eu quero dizer é que esse tipo de mídia também pode ser considerado um meio para filosofar, e também poetizar sobre qualquer coisa, vista de qualquer ângulo, e por qualquer pessoa ou até mesmo objeto. Esse papo de que anime é coisa de criança não existe para aqueles que conhecem o trabalho de Makoto Shinkai por exemplo. Lembrado mais pelo seu magnífico trabalho em  5 Centímetros por Segundo, Hoshi wo Ou Kodomo e  Jardim das Palavras (que ambos ainda estou devendo a resenha aqui), Makoto é conhecido pelo seus cenários maravilhosos, pelas suas histórias um tanto que profundas, e a sua excelente qualidade técnica exibida em suas produções.

Hoje eu terei a graciosidade de resenhar o seu primeiro trabalho, um curta que foi lançado em 1999. Kanojo to Kanojo no Neko, mais conhecido como Ela e o seu Gato, conta a história de uma jovem anônima que adota um gatinho que foi abandonado em sua porta. O curta é contado pelo ponto de vista do pequeno gato Chobi, onde ele conta todo o cotidiano de sua dona e aos poucos descobrimos que ele se apaixona por ela, e que está passando por um conflito pessoal, pela qual a está deixando deprimida. Em sua pequena perspectiva, Chobi não consegue entender absolutamente nada do que está acontecendo, mas consegue sentir que tem alguma coisa errada.



Em apenas 5 minutos nós conseguimos ver a representação mais pura do amor, sim, aquele que não se espera nada em troca. Em cada minuto Makoto nos estabelece duas relações incompreendidas, mas que são unidas através de suas solidões. Em cada pequena informação que nos é contada, algo está se formando ali por detrás e que no final esse todo se junta, e simplesmente não há um desfecho. Nenhuma solução foi apresentada. Nenhum acontecimento extraordinário acontece. Makoto nos conta uma simples história, onde não precisamos de um super final para poder compreender a dramaticidade dos dois personagens completamente distintos. Do começo ao fim, tudo se trata de puro lirismo. Cada frase em que é pronunciada pelo gato, são nada mais e nada menos que, algo esteticamente extra delicado e sensível. A visão de um ser indefeso, é algo que sempre me despertou curiosidade, e a história em que é construída aqui é algo poeticamente sincero. 


Os contrastes da animação + a narração do gato + dramaticidade sem fins lucrativos é igual a um caldeirão de elementos que se completam. A mais perfeita combinação do ''arroz com o feijão''. O preto com o branco passa um tom extremamente melancólico e o sentimento ali exposto está em sua forma mais pura e simples. Cada cenário diz algo. Casa palavra dita remete a arte. 

Meu amigo, se não existe anime poético, eu não sei mais o que essa palavra significa.

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