terça-feira, 23 de julho de 2013

Dissecando a filosofia do filme Ghost in the Shell


''Penso, logo existo'' será que esta frase vale também para cyborgs? Vamos argumentar a tecnologia e filosofia do primeiro filme do Ghost in the Shel /O Fantasma do Futuro!




Antes de mais nada eu gostaria de dizer que este post é opinativo/argumentativo, isto é , um ponto de vista da minha parte acerca deste filme. Obviamente eu posso ter uma visão dos fatos diferente da sua porque alias ninguém é obrigado a concordar com nada, ainda mais se tratando de um filme com inúmeras teorias e pontos de vistas diferentes. Mais que esta resenha faça despertar em você o interesse de querer conhecer Ghost in the Shell, mais caso você já conheça que esta postagem sirva como ponto de questionamento, ou seja, que toda esse review sirva como base de raciocínio analítico sobre determinado detalhe que talvez você não tenha parado pra pensar! Boa leitura!

 Ghost in the Shell é uma adaptação do mangá criado por Masamune Shirow. Se passa em 2029, um mundo com uma tecnologia super avançada  onde se pode fundir o cérebro á computação, quase tornando os usuários em máquinas. A história é sobre a Major Matoko, a líder de um serviço secreto chamado esquadrão Shell, que foi modificada geneticamente que quase não tem humanidade. Esse esquadrão está perseguindo um hacker chamado Mestre das Marionetes, que é capaz de controlar a vontade das outras pessoas. mais eles acabam se metendo em uma trama de conspirações que envolve até grandes autoridades do ministério.
 Ghost in the Shell possui dois filmes e duas séries de TV. A que eu comentarei aqui é o primeiro filme produzido em 1995 com duração de 83 min, que no Brasil recebeu o nome de ''O Fantasma do Futuro''.



Este é o típico filme que você precisa assistir várias vezes para poder entender. Revê-lo é fundamental para perceber os detalhes que passaram abatido na primeira vez, é essencial ter concentração nos acontecimentos porque são informações que só faram sentido se sua atenção estiver focada atentamente. Sem sombra de dúvidas está no mesmo nível do filme Akira, que já comentei sobre ele no blog no entanto se você ainda não leu clica aqui

  Uma outra comparação que eu não poderia deixar de lembrar é o filme Blade Runner - O Caçador de Androides dirigido por Ridley Scott num roteiro que basicamente se parece com Ghost in The Shell, que tem a sua temática complexa, Retrofit. Porém em Ghost in the Shell não se deparamos com um filme longo, em apenas 83 min de duração você consegue assistir algo surpreendentemente detalhado, em todos os aspectos! Desde a sua trilha sonora até das pessoas sem importância que passam pelas ruas, tudo tem uma pequena funçãozinha que se juntando uma as outras formam esse filme  Cyberpunk Cult maravilhoso.

  Ghost in the Shell também influenciou muito a estética da animação como também em outras mídias, Matrix por exemplo teve muitas referências em Ghost in the Shell. Tanto nas tecnologias como na ação. Todavia o curioso de assisti-lo é a que por trás da animação exuberante, existe uma história de ação superficial onde mora um enredo pensante que lança questões filosóficas complexas, que como eu disse anteriormente : tem que revê-lo várias vezes para perceber os detalhes!

Lançado á 18 anos atras com todo esse detalhismos realmente é algo digno de ser aplaudido de pé. Ainda mais por ser uma animação que exige o dobro de cuidado e atenção, afinal não é um filme pra criancinhas, nem por adolescentes que gostam de coisinhas ''Kawaii'', mais destinado pra pessoas que gostam de analisar, de pensar, de refletir, e principalmente pra aqueles que gostam desse estilo Cyberpunk bem feito.

 Há quem diga que Ghost in the Shell recebeu uma tradução porca, eu digo porém que não. Há quem diga também que ele se torna entediante em certos pontos e informativo demais e com menos cenas de ação do que deveria ter, eu também digo que não. Quanto á tradução ''O Fantasma do Futuro'' eu não acredito que seja tão porca assim como ouvi de algumas pessoas, pelo contrário eu acho que que tem tudo á ver, é só prestar atenção em certos detalhes que você poderá entender o porque. Também não concordo de Ghost in the Shell ser entediante e meio parado, quem tem a astúcia de auto declarar isso certamente é aquele tipo de otaku careta. É um filme de ficção científica que não se limita á ação ou em qualquer outro requisito unicamente. Ele visa priorizar a sua étnica com cenas de teorias filosóficas mais que no momento certo terá as cenas de ação engajadas nas suas informações estabelecidas.



 O filme conta com momentos de quietude sim, mais não deixa de abrilhanta-ló ou atrapalha-ló. Há momentos que parecem não conter uma sequência (devida aos diálogos dos personagens serem mais estendidos com a qual estamos acostumados) entretanto não há o cabimento de julgá-lo como um filme cascato ou recheado de embromação, isso é puro exagero! Nesse tipo de cenas vertiginosa existe um enquadramento de situação muito agradável, pois a 'câmera' mostra a cidade artificial construída num conceito de solidão, exalando a extração de qualquer forma de vida, num ambiente escuro que permite o público que assiste ter a percepção de que a tecnologia extrai a vida, a humanidade. Esse tipo de questão já deixa em destaque o seu conceito filosófico confirmado mais ainda.

   ''Penso, logo existo'', acho que esta frase combinaria bem com Ghost in the Shell. Tanto que os cyborgs se viam como um ser vivo qualquer, porque sentiam, falavam, respiravam, tinham memórias, tinham sentimentos semelhante ao de um ser humano. A história basicamente gira em torno da procura do famoso hacker todavia mostra os esquemas políticos e conflitos de interesse egoísta visando as suas indagações sobre a definição do ser humano como indivíduo.


 Ghost in the Shell tem uma trilha sonora agonizante, não que isso seja ruim pelo contrário é enriquecedor para o filme, combina perfeitamente com a sua temática. Os Gráficos e cores tem como objetivo seguir com lealdade o roteiro que prioriza a grande essência humana: a alma!

  A maioria dos filmes de ficção científica tem um ''template'' que testam outros gêneros como terror e etc. No caso de Ghost in the Shell ele mescla com a ação e as questões filosóficas acerca da alma, da humanidade, da vida. Aborda em si um tema complicado mais que é mostrado sutilmente em pouquíssimo tempo : arte, questões,  numa maturidade de quem realmente sabe o que significa Cyberpunk.


Considerações finais 

  É impossível dissecar este filme nos seus mínimos detalhes, como veredito final devo afirmar aquilo que insinuei deste o começo deste post. Ghost in the Shell não é destinado ás crianças, mais sim para o fãs de animes que se preze, e que tem um interesse em conhecer um filme de excelente estética, bem como alimento intelectual.
  Um lindo filme que me fez viajar em seus conceitos e que me proporcionou um momento de reflexão único. Um futuro governado pelas tecnologias, a verdadeira humanidade sendo esquecida, acho que isso resume bem o que é Ghost in the Shell.

  A tecnologia e o ambiente que gira em torno de Ghost in the Shell é magnifica pelo motivo dos prédios altos, helicópteros sobrevoando, aquele tom verde, cinza, e cintilante deixa aquele ar de cidade morta, parece que não há vida, não há simplicidade, ou sera que pessoas cibernéticas também são seres humanos? será que eles merecem ser tratados como marionetes? escravos? programados pra obedecer? Ter a habilidade de raciocínio não os torna vivos? e é aí que entra essas perguntas que se pararmos pra pensar tem tudo a ver com a era em que vivemos hoje em dia.

 ''O que nos define como ser humanos? O que é a memória? Qual a verdadeira natureza da consciência?'' são esses tipos de questionamentos que movem este filme sci-fi num futuro próximo, estamos bebendo da tecnologia e nem percebemos o mal que ela pode nos acarretar.
   Indispensável para os fãs do estilo Cyberpunk e para todos que gostam de algo bem feito!



2 comentários:

  1. Um filme com uma profundidade inegável, com tantos detalhes.
    Impossível não criar um paralelo do que vimos em filmes como Matrix. Onde vemos a perda da nossa essência e máquinas a desenvolvendo.
    É bonito, assustador, agonizante, mas cativante, vemos a inversão que ocorre entre humanos e máquinas como no filme Blade Runner, onde enxergamos o Cyborg se tornar mais humano que nós mesmos

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    1. É exatamente isso, Ghost in The Shell mostra muito bem essa vida paralela entre humanos e cyborgs de uma forma rica em detalhes com um significado extremamente forte! Obrigada por comentar o/

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